Não critique, não despreze: conheça!
Embora educação seja um Direito garantido por uma lei federal, muitas familias autistas sofrem demasiadamente por causa do descaso e desumanidade de nossos governantes.

Por ora dizem que autista tem que estudar na escola regular para aprender a socializar, porém, não capacitam profissionais para lidar com nossos autistas (muitos autistas já estão no nono ano e sequer são alfabetizados), não disponibilizam professores auxiliares e nem cuidadores para acompanhá-los DENTRO da sala de aula. Muitos são dispensados injustamentes e quando as famílias conseguem uma escola que aceite nossos filhos, ambas são impossibilitadas de atendê-los por causa de formallidades, quebras de convênios, falta de repasses financeiros...

Até transporte para conduzí-los à instituição de ensino são negados e, a maioria dos pais sõ massacrados, têm que se humilhar, peregrinar, fazer um enorme sacríficio para ter acesso ao que lhe é de direito.

Quanta crueldade! O que fazem com os impostos que arrecadam. Será que vão levar tanto dinheiro para seus caixões quando morrerem? Estou indignada! Eleições chegando e eu pergunto: qual vai ser a conduta? O que irão prometer desta vez. Que vergonha de ser brasileira! Que ódio desses políticos que se colocam à margem dos humanos, que agem como se fossem imortais, pisoteando, sucumbindo os necessitados!

Ninguém é anjo ou demônio

Eu acho um absurdo quem diz que autismo é benção, um presente de Deus. Não posso negar que a luta pelo autismo me tornou alguém melhor e me fez valorizar coisas que antes não me eram nada. Porém, a luta é muito dolorosa. E a melhor maneira que encontrei de lidar com isso é não criar expectativa. Quando recebi o diagnóstico de meus filhos, a primeira coisa que fiz foi me conscientizar que nada seria como os outros, que eu eu seria privada de muitas coisas. Então, aprendi a valorizar cada conquista, cada pequeno avanço.

Realmente, meus filhos evoluíram bastante, mas ainda há muito o que aprender, se aprimorar.

Não acho um mar de rosas e sim, um aprendizado. Talvez por hoje o grau de comprometimento ser leve e moderado e eu já ter essa conformação de limites a serem superados, vivo o autismo como uma caixinha de surpresas, uma hora boas, outra hora ruins.

Durante alguns anos, eles não dormiam. Hoje dormem a noite inteira. Por muitos anos eu me isolei, não saia com eles a nenhum lugar. A Maju sempre foi mais quietinha, mas o victinho não gostava de barulho, corria, se jogava no chão, esperneava. Por isso eu comecei aos poucos. Ia um tiquinho e voltava logo, sempre respeitando o tempo deles. Hoje, vamos ao shopping, já conseguimos ficar uma, duas horas e vamos nas casas das pessoas, ficamos quatro horas e dormimos na minha mãe e eles sequer querem vir embora.

Conclusão, tudo é de pouquinho em pouquinho. Tem coisas que eles entendem rapido, outras nem tanto.

O importante é não forçar a barra. Ir respeitando o timer, o limite deles, Desta forma, quando olhar para atrás irá ver o quanto eles mudaram. Quando me lembro do quanto eles gritavam quando alguém desconhecido se aproximava, da falta de demonstração de carinho, nem acredito que conseguimos transdormar tanto!

Hoje eles são super carinhosos, interagem bem. Beijam, abraçam, dançam com quem eles simpatizam e comigo é um grude. Quando um sai do meu colo, vem o outro. Me beijam e abraçam muito. ÀS vezes, até demais. Principalmente, quando querem alguma coisa kkkkkkkkkk

Terapia em grupo para mães e familiares de setembro/2017

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